Milei compartilha série de posts criticando Lula: "Ladrão"

28 de julho 2026 - 09h56

O presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou na segunda-feira (27) uma série de publicações com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Os conteúdos foram publicados por outros internautas e repostados por ele.

Nos posts, usuários fazem diversas afirmações contra Lula, chamando-o de “ladrão” e acusando-o de “corrupção e lavagem de dinheiro”. Alguns internautas também criticam a atuação do presidente nas eleições presidenciais da Argentina, em 2023, apontando para uma suposta interferência no pleito para alavancar a campanha do então adversário de Milei, Sergio Massa.

Uma das publicações ainda relembrou a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, opositora de Milei, atualmente em prisão domiciliar por corrupção. O encontro ocorreu em julho do ano passado, em Buenos Aires, durante viagem do petista para a cúpula do Mercosul.

As críticas acontecem meio à crise diplomática entre Argentina e Brasil, iniciada após as falas de Milei na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência pelo PL em São Paulo.

Durante discurso, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e defendeu a derrota do petista nas eleições de outubro. Disse, ainda, que, ao lado do ex-presidente cubano Fidel Castro, Lula teria fundado o Foro de São Paulo, organização que classificou como uma "rede internacional-chave para a disseminação do comunismo" na América Latina.

Milei também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou, sem citar o nome, de “lixo careca”. A declaração foi feita em resposta à decisão que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas – uma medida séria nas relações internacionais. Mauro Vieira também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi para “transmitir repulsa do governo brasileiro aos impropérios” dirigidos pelo argentino.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, disse o ministro.

O caso também chegou à Justiça, com a campanha de reeleição de Lula pedindo uma investigação à Procuradoria Geral da República (PGR). O jurídico da federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PV e PCdoB, argumenta que o ato pode configurar ingerência externa indevida no processo eleitoral brasileiro após Milei dizer que apenas Flávio poderia “parar Lula”, o que poderia configurar pedido de voto.

Fonte: SBT News