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A candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PSOL) tem usado eventos da própria ONG, o Instituto E Se Fosse Você, para fazer discursos de tom eleitoral. A entidade, criada para “combater violência de gênero e de raça”, recebeu cerca de R$ 4 milhões em emendas parlamentares desde 2025.
Entre os deputados que destinaram recursos à organização está Natália Bonavides (PT-RN). Parte das emendas, no total de R$ 950 mil, foi utilizada no Festival MEL (Mulheres em Luta), realizado em maio deste ano.
Durante o evento, Manuela afirmou estar “na luta contra a extrema-direita” e fez referência à sua pré-candidatura ao Senado ao comentar a cor azul da roupa que usava, comparando-a à cor da Casa. Na ocasião, ainda não era permitido pedir votos. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, os R$ 950 mil utilizados no festival foram enviados por Natália Bonavides, Orlando Silva (PCdoB-SP) e Juliana Cardoso (PT-SP), sem detalhamento, no texto, de quanto cada parlamentar destinou.
Nos últimos dois anos, a ONG recebeu R$ 2,2 milhões em emendas de parlamentares de esquerda e tem outros R$ 1,7 milhão a receber. Parte dos recursos também foi usada na produção do podcast ElaPod – Vozes das Mulheres. Manuela afirmou que os valores não são destinados integralmente ao festival e que a organização também mantém outros projetos com os recursos recebidos.
A assessoria de Manuela afirmou que a maior parte do trabalho do instituto é sustentada com recursos próprios, inclusive pela venda de livros da candidata e de produtos da ONG. Disse ainda que o valor total das emendas cobre outros projetos, como clubes de leitura territoriais e ações de acolhimento a mulheres.
O caso entra no debate sobre o uso de emendas parlamentares em ano eleitoral, especialmente quando entidades ligadas a candidatos recebem recursos públicos e promovem atividades em que a própria figura política aparece em destaque.
Com informações da Folha de São Paulo


