O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos mais ameaçados do país por enfrentar o crime organizado em São Paulo, voltou a ser alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma liderança da facção chegou a alertá-lo anos atrás que o “salve” — ordem de execução — “seria cumprido até contra o senhor”, em tom de ameaça direta.
O caso teve início em 2009, durante a investigação do assassinato de Denílson Dantas Gerônimo, agente do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) da Penitenciária de Presidente Bernardes, morto a tiros em Álvares Machado. Segundo Gakiya, o crime abalou o sistema prisional, já que a vítima atuava com os presos mais perigosos do país.
O promotor já havia desarticulado outro plano do PCC para matar um agente penitenciário, mas, mesmo assim, a facção cumpriu a ordem, demonstrando sua capacidade de execução e obediência interna.
Há mais de 10 anos sob escolta da Polícia Militar, Gakiya foi incluído em uma lista de morte do PCC. Ele revelou que sua casa foi vigiada por drones e que o plano também envolvia o ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, assassinado em setembro em uma emboscada no litoral paulista.
Nesta sexta-feira (24), o Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram a Operação Recon, para desmantelar o novo plano da facção. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em cidades do interior paulista, como Presidente Prudente, Álvares Machado e Presidente Venceslau.
O grupo investigado é descrito como “altamente disciplinado”, atuando como um braço de inteligência do PCC especializado em vigiar autoridades e suas famílias.


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