Um painel composto por consultores independentes da Food and Drug Administration (FDA) rejeitou a recomendação de vacinas de reforço da Pfizer para a população em geral, indicando apenas para pessoas com 65 anos ou mais ou com alto risco para Covid-19 grave.

A votação — a primeira sobre reforços nos Estados Unidos — foi um golpe para a estratégia do governo Biden de disponibilizar injeções extras para a maioria dos adultos totalmente vacinados nos Estados Unidos, oito meses após terem recebido uma segunda dose. A implementação mais ampla deveria começar na próxima semana.

Os membros do comitê pareceram rejeitar o argumento de que a população em geral precisava de doses de reforço, dizendo que os dados da Pfizer e de outros lugares ainda pareciam mostrar que as duas doses da vacina protegeriam contra a forma grave da doença ou a hospitalização e não provaram que uma terceira dose impediria a propagação da infecção. Alguns também criticaram a falta de dados de que uma injeção adicional seria segura para pessoas mais jovens.

— Não está claro se todos precisam ser estimulados, exceto um subconjunto da população que claramente estaria sob alto risco de doenças graves — disse Michael G. Kurilla, membro do comitê e funcionário do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA.

Mas a recomendação final do painel deixou algum espaço para a Casa Branca argumentar que o núcleo de sua estratégia de reforço permanece intacto. Dependendo de como "em alto risco" é definido, dezenas de milhões de americanos podem ser elegíveis para injeções adicionais da vacina da Pfizer.

O comitê formado em grande parte por especialistas externos votou 16 a 2 contra um reforço da Pfizer para pessoas com 16 anos ou mais, após uma tensa discussão pública de um dia inteiro que colocou as divisões dentro da agência e da administração em exibição pública. Funcionários dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e do Instituto Nacional de Saúde (NIH) uniram-se a especialistas em doenças infecciosas e médicos na votação contra injeções adicionais para uma faixa tão ampla da população.

Paul Offit, membro do comitê e diretor do Centro de Educação de Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia, questionou se as injeções extras fariam muito para mudar o arco da pandemia.

— Todos concordamos que, se realmente queremos impactar esta pandemia, precisamos vacinar os não vacinados— disse ele.

Mas o painel adotou por unanimidade uma posição de recuo para limitar as vacinas adicionais aos idosos e outras pessoas com alto risco de doença grave de Covid. Então, depois de uma pesquisa informal promovida por um alto funcionário da FDA, os membros do comitê especificaram que os profissionais de saúde, atendentes de emergência e outros cujos empregos os colocam em risco especial também devem ser elegíveis para as doses de reforço. O oficial — Peter Marks, que supervisiona a divisão de vacinas do FDA — disse que o grupo de risco também incluiria professores.

Os assessores de Biden observaram que, de acordo com o plano da Casa Branca de oferecer doses de reforço oito meses após as segundas injeções, o mesmo grupo seria o primeiro da fila porque seria vacinado antes.

A Pfizer elogiou a decisão, com Kathrin U. Jansen, vice-presidente sênior e chefe de pesquisa e desenvolvimento de vacinas, dizendo que ela ressaltou “nossa crença de que os reforços podem ser uma ferramenta crítica no esforço contínuo para controlar a propagação deste vírus”.

A FDA tem a palavra final sobre as aprovações de vacinas e, embora não seja obrigado a seguir as recomendações do comitê, normalmente o faz. A agência provavelmente emitirá uma decisão no início da próxima semana.

Um comitê consultivo do CDC está programado para se reunir na quarta e quinta-feira para discutir as vacinas de reforço antes que a agência, que define a política de vacinas, emita recomendações sobre quem deve tomá-las.

Os críticos da estratégia de reforço do governo como excessivamente ampla ou prematura disseram que o comitê consultivo agiu como uma verificação necessária na sexta-feira.

A reunião “colocou a FDA de volta no banco do motorista”, disse Luciana Borio, ex-cientista-chefe interina da agência. O painel de especialistas, disse ela, “foi autorizado a manter sua independência científica".

— Ele entendeu que havia limitações significativas com os dados apresentados e que a FDA precisa revisar os dados cuidadosamente antes de tomar uma decisão — afirmou Borio.

Com informações de O Globo