Créditos: Magnific/karlyukav
Uma pesquisa científica feita na Austrália decidiu investigar um dos assuntos mais evitados nas conversas do dia a dia: quantas vezes uma pessoa saudável solta puns ao longo de 24 horas. O resultado virou um dos maiores levantamentos já feitos sobre flatulência e concluiu que a maioria dos adultos libera gases entre duas e sete vezes por dia.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), da Austrália, e publicado na revista científica JAMA Network Open. Para chegar aos resultados, os cientistas acompanharam 6.416 participantes, que registraram em tempo real os episódios de flatulência usando um aplicativo criado especialmente para a pesquisa, chamado “Chart Your Fart”.
Ao longo do levantamento, os voluntários registraram 360.192 episódios de gases. A média encontrada foi de cinco casos por dia. Segundo os pesquisadores, quase 80% dos participantes relataram entre duas e sete ocorrências por dia, faixa que agora é considerada uma referência de normalidade para adultos saudáveis.
Os cientistas afirmam que o estudo ajuda a estabelecer um parâmetro mais confiável para médicos e pacientes. Até então, muitos livros de medicina apontavam que o normal seria eliminar gases entre cinco e 20 vezes por dia, mas essa estimativa era baseada em pesquisas pequenas e limitadas.
A equipe australiana queria preencher justamente essa lacuna. Os participantes foram recrutados por meio de uma campanha nacional e orientados a registrar cada episódio o mais próximo possível do momento em que ele acontecia. A ideia era reduzir falhas de memória e minimizar constrangimentos sociais que poderiam interferir nos relatos.
Os pesquisadores destacaram que a flatulência costuma ser associada apenas a doenças ou desconfortos intestinais, quando, na verdade, ela faz parte do funcionamento normal do sistema digestivo. Segundo os autores, definir claramente o que é “excesso” pode ajudar médicos a identificar problemas gastrointestinais com mais precisão.
O estudo foi realizado entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. Mais de 19 mil pessoas chegaram a se inscrever, mas somente 6.416 atenderam a todos os critérios exigidos pelos cientistas para participar da análise final.
Os dados também mostraram diferenças entre homens e mulheres. Em média, homens relataram 5,2 episódios diários, enquanto mulheres registraram 4,8. Os pesquisadores afirmam que fatores sociais podem ter influenciado os resultados, já que o constrangimento em falar sobre o tema pode variar entre os grupos.
A idade também apresentou diferenças importantes. Pessoas entre 14 e 25 anos tiveram a menor média, com 4,4 episódios por dia. Já participantes entre 26 e 45 anos lideraram o ranking, com média de 5,2 episódios diários. Adultos de 46 a 65 anos registraram cinco episódios, enquanto pessoas acima de 66 anos tiveram média de 4,8.
Outro dado que chamou atenção foi o horário de maior atividade intestinal. Os episódios de flatulência aumentavam gradualmente ao longo do dia e atingiam o pico entre 18h e 22h. Segundo os pesquisadores, esse período coincide com os horários em que as pessoas normalmente consomem mais calorias e fibras.
Os cientistas explicam que as bactérias presentes no intestino grosso quebram alimentos não digeridos, especialmente fibras, produzindo gases como hidrogênio, metano e dióxido de carbono. Quanto maior o consumo de fibras durante o dia, maior tende a ser a produção de gases no período da noite.
A pesquisa também observou uma redução nos registros de flatulência no meio do dia, acompanhando o momento em que muitas pessoas fazem refeições menores ou se alimentam de forma diferente.
Além dos dados principais, o estudo comparou os resultados com pesquisas anteriores sobre o tema. Um levantamento americano com mais de 16 mil pessoas já havia encontrado números semelhantes. Já uma pesquisa menor feita em laboratório registrou média de oito emissões diárias.
Os pesquisadores também reconheceram limitações importantes no trabalho. Como os participantes registravam os episódios manualmente pelo celular, episódios durante o sono provavelmente ficaram de fora da contagem.
Outro detalhe é que o aplicativo não permitia registrar dias sem nenhum episódio de flatulência. Com isso, não foi possível diferenciar pessoas que realmente não soltaram gases em determinado dia daquelas que apenas esqueceram de preencher o aplicativo.
Mesmo com essas limitações, os cientistas afirmam que o estudo oferece um dos conjuntos de dados mais completos já produzidos sobre hábitos cotidianos de flatulência em pessoas saudáveis.
Com informações de R7


