Reeleição de Lula fortalece Motta e Alcolumbre na disputa pelo comando do Congresso

26 de Outubro 2026 - 08h25
Créditos: Marcos Oliveira/Agência Senado e José Cruz/Agência Brasil

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortalece as articulações do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e do senador Davi Alcolumbre (União-AP) para permanecerem no comando da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente.

Após a confirmação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Motta e Alcolumbre fizeram um pronunciamento conjunto em Brasília. Além de parabenizarem Lula, os presidentes das duas Casas também fizeram acenos ao candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), em um movimento que considera o peso das bancadas bolsonaristas na próxima legislatura.

Motta classificou a eleição como um “dia de alegria” para quem acredita na democracia e defendeu que o presidente reeleito avalie os acertos e erros do governo. Para o deputado, o resultado abre uma oportunidade para reduzir a polarização política no país.

“Nós temos um Brasil dividido, um Brasil que passou, infelizmente, os últimos quatro anos radicalizado, e que, com essa vitória de hoje, eu penso que o presidente tem uma nova oportunidade de poder conciliar o país, de poder olhar para a gente e governar para todos os brasileiros”, afirmou.

O presidente da Câmara também destacou a importância do diálogo entre os Poderes. “Estaremos prontos para poder, com diálogo, com independência, mas, acima de tudo, com harmonia, como preconiza a nossa Constituição, poder estar pronto para dialogar e projetarmos o futuro do país”, declarou.

Alcolumbre, por sua vez, afirmou que o resultado das urnas deve ser respeitado e que o Congresso continuará debatendo os temas de interesse da sociedade. Ele destacou a participação dos eleitores e a votação expressiva de Flávio Bolsonaro.

“Hoje nós estamos aqui, o Poder Legislativo brasileiro, o presidente da Câmara e o presidente do Senado, reconhecendo a decisão livre e soberana do povo brasileiro, sufragada nas urnas eletrônicas, que completam 30 anos e que são um patrimônio do Brasil”, disse.

O senador classificou a vitória de Lula como “consagradora”, mas ressaltou que o Legislativo permanece atento às demandas da população.

PL amplia força no Congresso

A vitória de Lula reduz o espaço para uma eventual ofensiva bolsonarista pelo comando das duas Casas. Durante a campanha, Flávio Bolsonaro indicou que pretendia disputar a liderança da Câmara e do Senado caso fosse eleito presidente.

O PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara e um recorde histórico. O número representa aproximadamente um quarto das 513 cadeiras da Casa e supera os 109 deputados eleitos pelo PMDB em 1990.

No Senado, o partido terá 28 representantes, cerca de um terço das 81 cadeiras. A composição dá força à oposição para tentar eleger um presidente alinhado ao bolsonarismo, especialmente na disputa pela sucessão de Alcolumbre.

Entre os nomes cogitados para a presidência do Senado estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS). Lideranças do Centrão avaliam, porém, que a reeleição de Lula favorece Alcolumbre na busca por apoio.

Motta reúne apoio de bloco partidário

Na Câmara, Hugo Motta chega à disputa em uma posição mais confortável. Após o primeiro turno, o deputado articulou o apoio de um bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos.

Posteriormente, PSB, PDT e PV também aderiram à articulação. Com isso, Motta reúne uma base potencial de 273 deputados eleitos para a próxima legislatura.

A vitória de Lula pode ampliar esse apoio, caso o PT, que terá 70 parlamentares, se aproxime do bloco do presidente da Câmara. O PCdoB, com 11 deputados, também poderia acompanhar o movimento.

Com informações do Estadão