O reality show tinha como objetivo apontar o melhor paranormal do país, submetendo os candidatos _bruxos, tarólogos, médiuns e videntes_ a desafios como acertar o nome da personalidade cuja foto estava em um envelope, apontar onde estava escondida determinada pessoa e revelar detalhes da vida de alguém.

A última prova envolvia o assassinato da jovem.

Na busca do prêmio de R$ 50 mil em barras de ouro, os participantes foram levados ao cenário do crime. Com a foto da jovem na mão, eles tinham de "sentir" e revelar detalhes do assassinato, descrevendo os últimos momentos da vítima.

Durante o programa, vencido pelo bruxo Edu Scarfon, Portiolli usava frases como "se divirtam assistindo" e "vocês vão se divertir".
No processo movido contra o SBT, a mãe da jovem afirmou que a emissora transformou o brutal assassinato da jovem em brincadeira e entretenimento com objetivo de obter audiência e lucro. "Houve violação da memória da falecida", afirmou à Justiça o advogado Fabricio Raposo, que representa a família.

O advogado destaca no processo que a emissora não tinha autorização da família para exibir a foto da jovem, muito menos da forma "desrespeitosa e avacalhada" como o caso foi tratado.

Ao se defender no processo, o SBT disse que, mesmo que a imagem da vítima tenha sido usada em um concurso de videntes, não deixou de ser um "material jornalístico de interesse público".

Afirmou também que a mãe da jovem não conseguiu comprovar que a sua dignidade foi afetada pelo programa. "A bem da verdade, sua dignidade já restara estraçalhada quando soube da morte brutal da filha!", disse à Justiça o advogado Marcelo Migliori, que representa o SBT.

O Tribunal de Justiça não aceitou a argumentação. O desembargador Theodureto Camargo, relator do processo, afirmou que o reality show não teve cunho jornalístico e que a emissora necessitava de autorização para exibir a imagem e o nome da vítima. "O programa criou uma gincana para que os videntes desvendassem o crime."

Cabe recurso à decisão.

Com informações de UOL