Técnica de enfermagem é presa ao tentar sair de hospital com recém-nascido

30 de Março 2026 - 09h02

Uma técnica de enfermagem foi presa em flagrante na tarde de sábado (28) ao tentar sair do Hospital Regional de Santa Maria, no DF, com um bebê recém-nascido. A funcionária, identificada como Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, foi interceptada por seguranças na saída da unidade.

A criança havia nascido há poucas horas e a mãe permanecia desacordada no pós-operatório. Aos seguranças e policiais, Eliane afirmou que a ação se tratava de uma “brincadeira”.

Em depoimento na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), uma das vigilantes relatou que estava em seu posto quando viu a técnica deixando o setor obstétrico em atitude suspeita.

Ao notar a movimentação, a vigilante se levantou e questionou o destino da funcionária, que inicialmente ignorou o chamado e seguiu caminhando. A abordagem só foi concluída após a aproximação de uma segunda vigilante, que deu apoio à ação.

Ao ser confrontada pelas seguranças sobre o que carregava, Eliane revelou tratar-se de um bebê. Segundo uma das vigilantes, a técnica teria sorrido e afirmado: “Parabéns, você passou no teste”.

De acordo com relato da vigilante, Eliane insistiu que se tratava de uma “brincadeira” ou simulação para testar a eficiência da vigilância hospitalar, repetindo frases de elogio à segurança enquanto retornava ao setor.

A vigilante disse que, devido à gravidade da conduta acionou imediatamente o registro de ocorrência e a supervisão. Ela também contou que Eliane apresentou-se abalada, chorou e pediu desculpas, alegando estar passando por problemas pessoais.

Por sua vez, o superior de Eliane esclareceu aos policiais que nenhum técnico de enfermagem tem autonomia para retirar um recém-nascido do setor sem autorização e acompanhamento do enfermeiro responsável e do médico pediatra.

A técnica de enfermagem negou qualquer intenção de subtrair o recém-nascido ou de retirá-lo das dependências do hospital.

Ouvida pelos policiais, ela relatou que estava em seu plantão de 12 horas e, após uma cirurgia cesariana, prestava assistência a um bebê que apresentava quadro de hipoglicemia.

Segundo Eliane, em um momento de descontração com uma colega de equipe, teria dito em tom de brincadeira: “Será que os seguranças falam alguma coisa se eu sair com o bebê?”.

Eliane afirmou que abriu a porta do setor e caminhou apenas alguns metros, permanecendo dentro da área hospitalar e sem a intenção de cruzar a portaria externa.

A técnica declarou que, após a interação com a segurança, retornou à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (RPA), entregou o bebê à mãe e verificou se o leite solicitado para a correção da glicemia já havia chegado.

Diante da existência de elementos que corroboraram e provaram a existência dos delitos, bem como da autoria, a técnica de enfermagem foi indiciada pela Polícia Civil do Distrito Federal por subtração de incapaz.

Proibida de se aproximar do hospital
Eliane passou por audiência de custódia neste domingo (29) e teve a liberdade provisória concedida pela Justiça do Distrito Federal.

A técnica de enfermagem está proibida de acessar qualquer unidade neonatal, maternidade, centro obstétrico ou berçário em qualquer unidade de saúde, pública ou privada, durante todo o curso do processo.

Além disso, ela deve manter uma distância mínima de 300 metros do Hospital de Santa Maria e não pode ter qualquer tipo de contato com a mãe da criança ou com os profissionais de saúde e vigilantes que testemunharam o ocorrido.

O caso segue sob investigação da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) para apurar se havia intenção de subtração de incapaz ou outros crimes correlatos.

Com informações de Metrópoles