36 bebês morrem em hospital e Polícia Civil abre investigação

23 de Outubro 2026 - 06h02
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A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar uma série de mortes de bebês ocorrida ao longo do ano no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar, e morrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.

O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem do Metrópoles teve acesso a 16 certidões de óbitos. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital — que integra a rede HapVida. No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior.

“Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes, ao Metrópoles.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados na quarta-feira (21).

Bebê deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé
Em um dos casos, ocorrido em abril deste ano, um bebê de 4 meses foi atendido pelo hospital após apresentar inflamação na garganta. A equipe médica receitou amoxicilina e dipirona em gotas sem submeter a criança a exames, como informou a mãe em depoimento à Polícia Civil, ao registrar um boletim de ocorrência.

No dia seguinte, Gael França da Silva apresentou queda da temperatura corporal e palidez. Um médico identificou sintomas de possível infecção pulmonar e solicitou exames, inclusive de sangue, que comprovaram a existência de processo infeccioso.

Em decorrência do quadro, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Gael precisou de medicação intravenosa, que foi administrada no pé por conta da dificuldade da equipe médica em acessar as veias da criança. Ele também foi intubado.

Dias depois, o pé do bebê usado para a aplicação da medicação necrosou. Um médico especialista vascular examinou o membro, mas não pôde reverter a condição.

A mãe de Gael também percebeu que os olhos do bebê ressecaram durante a internação, com posterior comprometimento da visão. Mais de um mês após ser encaminhado à UTI em coma induzido, já no fim de maio, o pequeno foi transferido para a enfermaria, ainda inconsciente. A justificativa da equipe médica era a alta concentração de bactérias na unidade intensiva.

Preocupada, a mãe de Gael adquiriu por conta própria um oxímetro para monitorar a situação de oxigênio da criança. Ela identificou queda na saturação do bebê e pediu o retorno dele à UTI. Dois meses depois, o menino morreu, aos 7 meses de idade. Na certidão de óbito, a causa foi registrada como choque séptico, encefalopatia hióxico-isquêmica, sepses e pneumonia.

O que diz o hospital
Em nota, a rede HapVida, à frente do Salvalus, afirmou que “os pacientes mencionados apresentaram condições clínicas distintas e de elevada gravidade, tendo cada um deles recebido assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.

Segundo a rede, “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”.

“Por meio de sua diretoria de acolhimento, a unidade mantém um canal aberto de diálogo, colocando-se à disposição para ouvir e prestar os esclarecimentos necessários, com respeito à privacidade e ao sigilo médico”, finalizou a nota.

Com informações de Metrópoles