Créditos: depositphotos.com / dabldy
O calçamento irregular de pedra vira espelho quando a maré sobe em Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro. Casarões brancos de esquadrias coloridas cercam a cena de uma vila, num centro histórico que nasceu no século XVII e ficou décadas esquecido antes de virar destino cobiçado.
Por que o mar invade o centro histórico?
O traçado colonial acompanha o nível da baía, e o calçamento pé de moleque deixa a água passar entre as pedras. Nas luas cheia e nova, quando a maré atinge os pontos mais altos, o mar avança sobre algumas ruas e recua levando parte dos resíduos.
Esse conjunto de casarões, igrejas e ruas de pedra foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1958. Carros não entram no perímetro, o que explica o silêncio incomum para uma cidade turística.
Em 2019, o sítio Paraty e Ilha Grande, Cultura e Biodiversidade, entrou na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como o primeiro sítio misto do país, com quase 149 mil hectares e quatro unidades de conservação em volta do núcleo histórico.
O que fazer entre ilhas, trilhas e cachoeiras?
A baía tem águas calmas quase o ano inteiro e a serra começa poucos quilômetros depois do cais. Vale dividir o roteiro entre mar e mata.
Saco do Mamanguá: descrito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como o único fiorde tropical da costa brasileira, com 8 km até o manguezal da Baía da Ilha Grande.
Passeio de escuna: saídas do cais com paradas para banho em praias e ilhas sem acesso por terra.
Caminho do Ouro: trecho preservado da antiga rota de tropeiros, calçado com pedras irregulares dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Cachoeira do Tobogã: laje natural que funciona como escorregador, cercada de Mata Atlântica.
Praia do Sono: acesso por trilha de cerca de meia hora ou por barco de pescador, uma das mais rústicas da região.
Trindade: vila de piscinas naturais junto à Rio-Santos, ao sul do centro.
Forte Defensor Perpétuo: fortificação no Morro da Vila Velha, hoje museu, com vista da baía.
A terra da cachaça e da cozinha caiçara
A cana chegou junto com o ouro e ficou depois que ele acabou. Em 2017 a cidade entrou na Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria gastronomia, e a bebida local carrega selo de Indicação Geográfica de Procedência.
Cachaça artesanal: alambiques na estrada da serra abrem para visita guiada, da moagem à degustação.
Peixes e frutos do mar: base da mesa caiçara, servidos nos restaurantes do centro histórico.
Farofa de feijão: prato dos tropeiros do Caminho do Ouro, ainda presente no almoço da Festa do Divino.
Paçoca de banana: receita tradicional citada no dossiê da cidade junto à UNESCO.
Como é o clima de Paraty durante o ano?
O clima é quente e úmido, com verões chuvosos e invernos amenos. Os meses secos do meio do ano costumam render trilhas e navegação com o céu mais limpo.
Como chegar à Costa Verde?
A cidade fica na Rio-Santos, entre as capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo, a cerca de 250 km de cada uma delas. Linhas de ônibus fazem o trajeto todos os dias, e a rodoviária fica a poucos minutos a pé do centro histórico.
Vale consultar a tábua de marés antes de fechar as datas. Quem quer ver o mar cobrindo o calçamento precisa acertar a viagem com as luas cheia ou nova.
A vila que o esquecimento preservou
Poucos destinos brasileiros reúnem conjunto colonial intacto, baía navegável e serra preservada na mesma manhã. O isolamento que empobreceu a cidade por décadas acabou salvando as ruas que hoje atraem visitantes do mundo inteiro.
Você precisa caminhar por Paraty no fim da tarde e esperar a maré subir entre as pedras.
Fonte: Tupi FM


