Após negar perseguição, Cacau Show fecha loja de franqueada que denunciou “seita”

04 de Junho 2025 - 15h26
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Mesmo tratando como “boatos” as denúncias sobre abusos contra franqueados, a Cacau Show deu sinais claros de retaliação. A empresa fechou a loja de Náira Alvim, primeira franqueada a denunciar publicamente a rede. O contrato foi rescindido dias após a repercussão do caso. O ponto comercial, que estava prestes a ser transferido a um novo comprador, foi fechado na última segunda-feira (2), durante visita de representantes da marca.

“Soube pelos vizinhos que colocaram a placa de ‘fechado’. Eu já tinha comprador e faltavam poucos dias para finalizar o negócio”, disse Náira. A empresa alegou “frustração na tentativa de venda” e “falta de interesse na continuidade” como motivos para a rescisão.

Náira lidera hoje a Associação de Franqueados e já havia denunciado a Cacau Show inicialmente sob pseudônimo, por medo de retaliações. Após expor o caso, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais. Seu perfil “A Doce Amargura” e um livro lançado sobre o tema abriram caminho para dezenas de outros franqueados relatarem problemas com a rede.

A coluna revelou práticas como cobranças abusivas, mudanças unilaterais de políticas e valores, além de processos judiciais movidos pela empresa. Em carta recente, o CEO Alê Costa atribuiu as dificuldades a fatores externos, como alta histórica do preço do cacau e instabilidade econômica. Ele destacou ainda investimentos como a construção do Cacau Park, um megaempreendimento orçado em R$ 2 bilhões.

A rede possui mais de 4 mil lojas espalhadas pelo Brasil.