Percebe-se, sem muito esforço, que a sociedade brasileira vive um tempo de divisões mais agudas, inclusive, tendo as opiniões mais extremadas uma maior visibilidade. Os empreendedores, em regra, são mais pragmáticos e acompanham este tipo de debate público com algumas preocupações.

 

A primeira, a de que decisões importantes não sejam tomadas emocionalmente. Afastar do cargo, por exemplo, um governante eleito pelo voto popular, seja quem for, merece criteriosa análise. São necessárias motivações técnicas, legais, bem fundadas e graves. Defender mudanças, novas rotas, apresentar propostas, são expedientes inerentes ao debate público e, neste ambiente, todos podem contribuir, sobretudo, quando se apresentam pesquisas, estudos técnicos, experiências que servem como balizas referenciais.

 

Trabalhar em torno de um projeto meramente eleitoral é um esforço ocasional que poderá, ou não, ter consequências, entretanto, sem alicerce ou, na análise mais generosa, um lastro com fissuras. Trabalhar em projetos para o País, com causas que sejam maiores que qualquer embate eleitoral, motiva um outro mais envolvente e necessário engajamento.

 

Outra importante preocupação: a pauta – seja por quem for apresentada – precisa ter metas que representem a maioria dos brasileiros. Se vamos debater o Brasil, que o façamos com responsabilidade discutindo caminhos razoáveis para destinos desejados. Para os empreendedores, por exemplo, é importante – sem paixões partidárias ou interesses eleitorais – discutir o custo da máquina pública; o ambiente de produção; a reforma tributária e a desburocratização dos processos e a geração de novos empregos, dentre outros temas. Se, para tanto, for necessário reavaliar custos, processos, paradigmas, assim, a meu sentir, devemos proceder.

 

O que se torna improdutivo é o debate rasteiro, sem metas, sem estudos, sem números técnicos, apenas e tão somente um embate pré-eleitoral.

 

Aliás, ainda para ilustrar, muito se fala atualmente na carga tributária. Todavia, para bancar os serviços públicos, os Governos precisam arrecadar e são poucos os líderes políticos e sociais que discutem meios para que este custo seja menor. Os empreendedores, em síntese, defendem menos impostos e, consequentemente, um menor custo para o Estado brasileiro. Por outro lado, para termos uma arrecadação possível, precisamos estimular a produção, o empreendedor, o empregador! O empregador paga, recolhe e estimula novos contribuintes a partir dos empregos que gera.

 

O debate público, portanto, antes de personificar bandeiras ou de exigir medidas abruptas, deveria ter a serenidade de tentar apontar caminhos para alcançarmos metas convergentes de justiça, qualidade de vida, prosperidade econômica. Os empreendedores desejam contribuir, com responsabilidade, para a construção de uma pauta de convergências, seja no Brasil ou no Rio Grande do Norte. Para tanto, devemos pensar no interesse coletivo, valorizar o trabalho e a produção, e não nos afastarmos do propósito – comum a todos nós – de privilegiar a dignidade da vida humana.