Cacau Show: funcionários são “incentivados” a fazerem tatuagens iguais a de CEO

30 de Maio 2025 - 20h21
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Funcionários e franqueados da Cacau Show denunciaram práticas consideradas abusivas dentro da empresa, que incluem rituais corporativos com conotação religiosa, exigências de tatuagens e perseguições a quem questiona as regras. As denúncias chegaram ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e incluem relatos de assédio moral, sexual, gordofobia, homofobia e até restrições à gravidez de funcionárias.

Em eventos com lideranças, o fundador e CEO da rede, Alexandre Tadeu da Costa, conhecido como Alê Costa, chegou a levar um tatuador para gravar nos braços dos funcionários a palavra “atitude”, a mesma que tem tatuada. A marca era apresentada como símbolo de compromisso com a empresa e também era exibida em treinamentos virtuais para novos colaboradores.

Além disso, ex-funcionários relataram que há dias em que todos devem ir à sede vestidos de branco e participar de cerimônias em uma sala escura, iluminada por velas, onde repetem cânticos conduzidos por Alê Costa. A participação não é obrigatória, mas há relatos de retaliações a quem se recusa ou demonstra resistência.

O MPT recebeu denúncias que apontam para uma cultura de medo, perseguições e abusos estéticos, sexuais e comportamentais. Segundo o documento, há vítimas que sofrem em silêncio por medo de represálias.

Franqueados também relatam perseguições ao reclamarem de problemas operacionais. Entre as retaliações, estão o envio de produtos perto do vencimento e a retirada de crédito, obrigando compras à vista — práticas consideradas ilegais pela Justiça. Um processo em Brasília classifica essas ações como "revanchismo institucionalizado" e violação da liberdade profissional e do direito de ação.

Insatisfeitos, franqueados criaram o perfil “Doce Amargura” nas redes sociais para denunciar os abusos. A responsável pelo perfil afirma ter recebido a visita do vice-presidente da empresa, Túlio Freitas, que teria perguntado “o que era preciso” para que ela parasse as postagens.

Procurada, a Cacau Show afirmou, por nota, que “não reconhece as alegações” feitas nas redes e que “preza pelo respeito, diálogo e confiança mútua”. Sobre a visita do vice-presidente, disse que foi parte da rotina de apoio aos franqueados e que não teve relação com o perfil denunciador. A empresa declarou ainda que não compactua com condutas que contrariem seus valores.