Canetas emagrecedoras causam dependência? entenda

30 de Agosto 2026 - 11h11
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As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade e também nas discussões sobre estilo de vida. Apesar dos resultados rápidos, especialistas alertam que alguns pacientes podem desenvolver uma relação psicológica ou comportamental inadequada com os medicamentos.

Segundo a cirurgiã bariátrica Stephanie Giulianne Silva Morelli, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), as canetas não provocam dependência química clássica, como substâncias que alteram o sistema de recompensa do cérebro. Porém, o problema pode surgir quando o paciente passa a acreditar que não consegue controlar o peso sem o medicamento, teme interromper o uso ou altera as doses por conta própria.

O endocrinologista Igor Trotte explica que é importante diferenciar esse comportamento da própria obesidade, que é uma doença crônica e pode exigir tratamento prolongado. Recuperar peso após a suspensão do medicamento, portanto, não significa necessariamente dependência, mas pode representar o retorno dos mecanismos biológicos que favorecem o ganho de peso.

Quando o foco passa a ser apenas a balança

Um sinal de alerta é quando o paciente passa a avaliar o tratamento exclusivamente pelo número na balança e ignora alimentação, atividade física, sono e saúde metabólica.

Segundo Stephanie, há casos de pessoas que já atingiram uma composição corporal adequada, mas continuam querendo aumentar a dose por causa de pequenas variações de peso.

Entre os sinais de uma relação inadequada estão preocupação constante com a balança, desejo de aumentar a dose, restrição alimentar exagerada, ansiedade com pequenas oscilações de peso e medo excessivo de interromper o tratamento.

Outro problema ocorre quando a caneta é usada para compensar hábitos que não foram modificados. O paciente emagrece, mas mantém uma alimentação inadequada, não pratica atividade física e não cuida do sono.

Uso sem acompanhamento aumenta riscos

A tentativa de aumentar a dose por conta própria também pode trazer riscos. De acordo com Trotte, podem ocorrer náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desidratação. Em casos menos frequentes, há risco de problemas na vesícula, pancreatite e lesão renal associada à desidratação.

O acompanhamento médico é importante para avaliar a indicação, ajustar a dose com segurança e preservar a massa muscular, além de definir estratégias para manutenção do peso.

Especialistas reforçam que as canetas devem ser usadas como parte de um tratamento mais amplo, associado a mudanças de hábitos, e não como única estratégia para emagrecer.