Construída há mais de 30 anos, passarela das Cataratas do Iguaçu resistiu a 46 milhões de litros de água por segundo; conheça a história

20 de Outubro 2026 - 15h29
Créditos: Reprodução RPC

Para erguer a atual passarela das Cataratas do Iguaçu, localizada em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, engenheiros precisaram desviar temporariamente o leito do Rio Iguaçu. Iniciada em 1992, a obra superou enchentes e resultou em uma estrutura capaz de suportar vazões extremas, como a registrada em 2014, quando resistiu a 46 milhões de litros de água por segundo.

A estrutura anterior, inaugurada em 1970, havia sido destruída pela força da correnteza durante uma cheia na década de 1980. O principal desafio da nova construção foi garantir a estabilidade da travessia mesmo quando o nível do rio ultrapassasse a altura do caminho destinado aos turistas.

Desafios de engenharia e mudança de estratégia
Para assegurar a resistência necessária, a equipe adotou uma técnica de fundação que fixou os pilares diretamente na rocha do leito do rio. Contudo, trabalhar em um dos pontos de maior correnteza das quedas d'água exigiu adaptações ao longo da execução.

De acordo com o engenheiro Márcio Marcon, que participou da execução do projeto, a primeira tentativa de desviar o rio ocorreu em um ponto próximo às quedas, mas a estrutura de contenção não resistiu a uma enchente, e a força da água arrastou equipamentos dos trabalhadores.

"Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta", afirmou Marcon.

Diante do imprevisto, as equipes alteraram a estratégia e fizeram um novo desvio do rio a alguns quilômetros de distância das Cataratas. Com o local da obra seco, os operários puderam perfurar a rocha e instalar as fundações definitivas. Os trabalhos contaram com equipes de 20 a 30 trabalhadores.