Coordenador do PT recebeu R$ 2,6 milhões de empresa da Farra do INSS

12 de Novembro 2025 - 16h49

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras suspeitas entre o coordenador nacional de Tecnologia e Informação do PT, Ricardo Bimbo, e a empresa ADS Soluções e Marketing, investigada por envolvimento no esquema de desvio de dinheiro de aposentados do INSS, revelado pelo Metrópoles.

De acordo com relatórios enviados à CPMI do INSS, a ADS transferiu R$ 120 mil para a conta pessoal de Bimbo e outros R$ 8,29 milhões para a Datacore, empresa de tecnologia da qual ele é sócio. Parte dos repasses — R$ 2,5 milhões — ocorreu após o petista ingressar na sociedade.

Questionado, Bimbo afirmou ao Metrópoles não se lembrar dos pagamentos nem do tipo de serviço prestado.

No mesmo período, o coordenador do PT pagou um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, ex-responsável pelas contas de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Muniz foi investigado pelo Ministério Público de São Paulo por suposta lavagem de dinheiro para o PCC e disse não se lembrar do motivo do pagamento.

Envolvimento da ADS no esquema

A CPI apurou que a ADS, embora registrada como empresa de marketing, recebeu valores milionários de entidades suspeitas de realizar descontos indevidos na folha de aposentados.

Entre fevereiro de 2023 e julho de 2024, a Potyguar Associação de Proteção e Defesa dos Aposentados repassou R$ 43,1 milhões à empresa. A AAPPS transferiu R$ 23,2 milhões, e a Apdap Prev, R$ 5,2 milhões.

A ADS também fez transferências a outros investigados, como R$ 2,6 milhões ao escritório do advogado Eric Fidelis, filho do ex-presidente do INSS, e transações com empresa ligada à esposa do ex-procurador-geral do órgão, Vigílio Antônio Riberia de Oliveira Filho.

Os relatórios mostram que, até dezembro de 2024, a ADS mantinha um saldo devedor de R$ 2,98 milhões com a Datacore de Ricardo Bimbo.