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Quando optou pelo curso de tecnólogo em Big Data no Agronegócio, da Fatec Pompeia, no interior de São Paulo, Lucas Finoti Rodrigues, 24 anos, buscava uma formação que unisse tecnologia da informação ao contexto do agronegócio, duas áreas que, cada vez mais, caminham juntas. Natural da cidade de Arco-Íris (SP), ainda durante o curso, ele participou de um programa de capacitação promovido por uma empresa parceira, o que abriu caminho para um estágio, que virou contratação antes mesmo do diploma.
Hoje, ele trabalha como analista de negócios no CIAg (Centro de Inovação no Agronegócio), um instituto de ciência e tecnologia que desenvolve soluções digitais, de aplicações web e mobile a projetos com IA generativa e machine learning: "Atuo na área comercial, atendendo clientes, identificando suas necessidades, ajudando as empresas a perceberem o valor de uma solução digital e elaborando os orçamentos das ferramentas de que necessitam."
Histórias como a de Lucas ajudam a explicar por que os cursos superiores de tecnologia, mais conhecidos como tecnólogos, ganharam espaço entre quem busca uma passagem mais direta da graduação para o mercado de trabalho. A diferença não está apenas na duração —em geral, de dois a três anos—, mas na forma como são desenhados. A proposta é partir das demandas identificadas no mercado e organizá-las dentro de um currículo.
"Geralmente esses cursos são pensados 'de trás para frente': isso significa que precisamos entender quais habilidades o egresso do curso precisa ter e, a partir daí, atualizamos o currículo", explica André Braun, coordenador acadêmico e pedagógico da Fatec (Faculdade de Tecnologia), mantida pelo Centro Paula Souza, do Governo de São Paulo, que conta com 87 unidades distribuídas por 80 municípios paulistas e oferece 352 cursos voltados a áreas como tecnologia, gestão, indústria, serviços, agronegócio, saúde e infraestrutura. Entre os cursos superiores de tecnologia, um dos mais procurados é Gestão Empresarial, único 100% a distância da Fatec.
Há também mais de 90 formações ligadas à indústria. Essa aproximação aparece nas chamadas Atividades de Contextualização Profissional, que fazem parte dos cursos e estimulam os estudantes a resolver problemas reais apresentados por empresas. A ideia é que o aluno não espere o fim da graduação para entender como sua área funciona fora da sala de aula. "A grande diferença em relação ao bacharelado, por exemplo, é esse alinhamento com o mundo do trabalho", diz Braun.
Esse alinhamento com o mercado, aliás, não serve apenas para quem busca um emprego corporativo. Com um currículo tão voltado para a prática, muitos alunos também aproveitam a formação para empreender e abrir o próprio negócio.
Reposicionamento de carreira
Na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), que lançou seus cursos superiores de tecnologia no início do ano, a aproximação com o mercado segue a mesma direção, embora com outro perfil de estudante. Segundo Sheila Maia, coordenadora nacional dos cursos tecnólogos da instituição, o público principal da instituição são alunos que estão retomando os estudos, profissionais que querem se especializar e pessoas que procuram uma formação mais curta para reposicionamento de carreira.
Os cursos têm duração de quatro semestres —ou dois anos —, e uma das novidades é a possibilidade de o aluno obter certificações ao longo da trajetória. "Desenvolvemos uma grade curricular voltada para inserção no mercado de trabalho. A cada semestre, temos uma certificação de acordo com as disciplinas desenvolvidas", explica Sheila.
No curso de Gestão Comercial, por exemplo, o estudante recebe uma certificação de assistente administrativo na área de vendas ao fim do primeiro semestre. No segundo, a certificação é de SDR, profissional responsável pela prospecção e qualificação de oportunidades comerciais. A partir do segundo semestre, entra em cena também o Projeto Integrador, em que empresas trazem problemas reais do mercado para que os alunos possam discutir e aplicar soluções em aula.
Segundo a coordenadora da ESPM, a construção dos cursos partiu de uma investigação sobre o que o mercado espera desses profissionais —tanto que grandes organizações, como a Fundação Roberto Marinho e a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), já iniciaram parcerias com a instituição em busca de talentos formados nos cursos de tecnologia. Junto com os novos cursos, a ESPM também oferece bolsas sociais de até 100% para estudantes com renda de até um salário mínimo e meio.
Diploma com peso de ensino superior
Ainda que conte com esses diferenciais, o curso superior de tecnologia é uma graduação de nível superior reconhecida oficialmente pelo MEC. Isso significa que o diploma permite a continuidade acadêmica em pós-graduação, MBA, mestrado ou doutorado. Também pode ser utilizado em concursos que exigem nível superior, salvo quando o edital determinar uma formação específica.
O próprio MEC publica o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, referência para a oferta dessas graduações no país. A versão mais recente reúne 153 cursos, organizados em 13 eixos tecnológicos, com informações sobre carga horária, infraestrutura mínima, possibilidades de atuação, perfil do egresso e legislação profissional. O catálogo pode ser acessado em https://cncst.mec.gov.br/.
Fonte: UOL


