Fiscal preso no caso Ultrafarma enviou R$ 54 milhões a falso banco da mãe

16 de Agosto 2025 - 10h41
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O fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso na última terça-feira (12), é acusado de operar um esquema bilionário de corrupção usando uma fintech sem autorização do Banco Central. A empresa, hoje chamada “Visão Suporte Administrativo” (antigo Dac Bank/Dac Pay), girou R$ 54 milhões entre julho de 2023 e agosto de 2024 em pagamentos da Smart Tax, empresa de consultoria tributária registrada no nome da mãe do fiscal, Kimio Mizukami, de 73 anos. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Smart Tax era usada para receber propina de empresários.

A fintech, que oferecia TED, Pix, cartões e serviços financeiros, funcionava apenas como fachada, com contas e transferências efetivamente lastreadas por bancos parceiros. Um dos sócios teve histórico criminal em operação envolvendo venda de títulos de ouro a mais de 25 mil pessoas, mas foi absolvido. O capital declarado da empresa chegava a R$ 3,5 bilhões, majoritariamente em títulos e cessões de crédito fictícias.

O MPSP afirma que Artur prestava uma “assessoria tributária criminosa”, atuando tanto como fiscal quanto como representante das empresas, acelerando ressarcimentos e autorizando vendas de créditos superfaturados em troca de propina bilionária. O auditor teria recebido cerca de R$ 1 bilhão desde 2021.

Empresas como Ultrafarma, Fast Shop, Oxxo e Kalunga são citadas no inquérito como beneficiárias do esquema. A Operação Ícaro do Grupo de Combate ao Cartel e Lavagem de Dinheiro (Gedec) levou à prisão de Artur e ao bloqueio da fintech.