Influencer suspeito de desviar doações para filha com paralisia é preso

03 de Agosto 2024 - 09h51
Créditos: Divulgação/Polícia Civil de Goiás

A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta sexta-feira (2), o influenciador Igor de Oliveira Viana, de 24 anos, por suspeita de cometer uma série de crimes contra a filha de dois anos, que tem paralisia cerebral.

Prisão foi feita pela DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente). O influencer —conhecido nas redes como "Pai de Soso"— estava acompanhado da mãe da criança, Ana Vitória Alves dos Santos, em um apartamento alugado em Goiânia no momento da prisão. A mulher (que também está sendo investigada) não foi presa, já que teve o pedido de prisão indeferido pela Justiça.

"Durante as investigações, a Polícia Civil já havia pedido a prisão dos dois, que foi negado pela Justiça. No entanto, surgiram novos elementos que deixaram evidentes o cometimento de crime por estelionato e, ainda, que eles estariam atrapalhando as investigações. Por isso, houve um novo pedido ao Poder Judiciário", Aline Lopes, delegada responsável pelo caso.

Ao UOL, a defesa de Igor Viana disse receber com surpresa a prisão de seu cliente. "A defesa esclarece que não há qualquer fato novo ou contemporâneo que pudesse justificar o pedido de prisão preventiva de Igor. Na verdade, a defesa entende que o pedido de representação pela prisão preventiva de Igor de forma reiterada, é apenas um malabarismo midiático para chamar atenção da mídia novamente para o caso."

Igor é investigado diretamente por cinco tipificações criminosas: maus-tratos; causar constrangimento à criança; incitar discriminação contra a pessoa com deficiência; estelionato e desvio de proventos da pessoa com deficiência. Ana Vitória, por sua vez, é investigada diretamente por estelionato.

Polícia também investiga se Ana Vitória foi omissa em relação a supostos crimes cometidos pelo pai contra a filha. Conforme a Polícia Civil de Goiás, as atitudes do pai foram praticadas enquanto ele ainda vivia com a mãe da menina e, portanto, embora ela não seja a autora direta dos crimes, pode responder por omissão.

Pai causou constrangimento à filha em vídeos expostos nas redes. Segundo a investigação, Igor usou termos pejorativos para se referir à criança. Nesse mesmo contexto, Viana é suspeito de incitar a discriminação contra a pessoa com deficiência porque suas falas não atingem apenas a filha, mas todas as pessoas que têm algum tipo de deficiência.

Os pais ainda são investigados pela suposta prática de estelionato. Segundo a delegada responsável pelo caso, Aline Lopes, há indícios de que Igor e Ana simulavam que a filha precisava de doações para custear tratamento, mas usavam as verbas doadas com outras coisas. A mãe, inclusive, teria feito intervenções estéticas com o dinheiro doado.

Com informações do UOL