O uso das chamadas canetas emagrecedoras, à base de semaglutida, tem se tornado cada vez mais comum — e polêmico — entre jogadores de futebol no Brasil. A informação foi revelada em uma reportagem do ge, que ouviu atletas e profissionais de clubes das Séries A, B e C.
Um dos casos é o de Joãozinho (nome fictício), volante de um clube do Nordeste, que usou a medicação para perder sete quilos em duas semanas antes de assinar contrato. O resultado foi queda de rendimento, fraqueza e perda de explosão muscular. “Mesmo perdendo peso, me sentia travado. Só melhorei depois que parei, mas já tinha perdido a vaga”, contou o atleta.
A caneta, que custa entre R$ 800 e R$ 2.500, vem sendo usada por jogadores que precisam recuperar a forma rapidamente, especialmente os que disputam campeonatos menores e ficam longos períodos sem clube.
Um preparador físico da Série B confirmou ao ge que o uso ocorre em times sem estrutura completa: “Ajuda quem precisa voltar à forma em pouco tempo”. Já um membro do departamento médico de um clube da Série A classificou o uso como “impensável em atletas profissionais”.
Outro jogador relatou ter usado o medicamento com autorização do clube, após cirurgia no joelho, e afirmou que o tratamento ajudou a perder 12 quilos e acelerar o retorno aos gramados.
Apesar de não constar na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA), o uso ainda é tratado como tabu. Jogadores e profissionais ouvidos pediram anonimato por medo de julgamentos.
Fontes do futebol de elite confirmaram que há casos de uso até na Série A, muitas vezes para controlar compulsão alimentar, vícios e pré-diabetes. “A caneta tirou o jogador da pré-diabetes e cortou o vício em doces”, relatou um profissional.
Enquanto não há decisão oficial sobre proibição, a semaglutida segue como uma ferramenta controversa — vista por alguns como aliada da performance, e por outros, como um risco silencioso à saúde e à ética esportiva.

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