“Piorou para o Brasil”, diz setor do café

16 de Novembro 2025 - 07h19
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A retirada pelos Estados Unidos da tarifa recíproca de 10% sobre 238 produtos agrícolas aumentou a pressão para que o Brasil avance nas negociações para eliminar a sobretaxa adicional de 40% aplicada exclusivamente ao país.

Segundo a CNI e o Cecafé, a medida amplia vantagens para concorrentes brasileiros no principal destino das exportações industriais do Brasil. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a manutenção da tarifa de 40% reduz a competitividade de produtos como carne bovina e café, enquanto países isentos passam a ter acesso facilitado ao mercado norte-americano.

Análise preliminar da CNI indica que a retirada da tarifa de 10% beneficia 80 produtos exportados pelo Brasil em 2024, somando US$ 4,6 bilhões (11% das vendas aos EUA). Apenas quatro itens ficam livres de encargos — três categorias de suco de laranja e castanha-do-pará. Outros 76 seguem sujeitos à alíquota de 40%, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba.

O Cecafé também demonstrou preocupação e destacou que o Brasil permanece submetido à tarifa base de 10% e ao adicional de 40% do Artigo 301. O diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que a situação favorece concorrentes como Colômbia e Vietnã, que tiveram tarifas zeradas.

Já a Abiec avaliou positivamente a redução tarifária para a carne bovina brasileira, classificando o gesto como reforço ao diálogo técnico entre os dois países. A entidade afirmou que a decisão traz previsibilidade, melhora as condições de comércio e fortalece a relação bilateral, lembrando que os EUA são o segundo maior mercado da carne bovina do Brasil.

Mesmo com o alívio parcial, a CNI ressaltou que a sobretaxa de 40% permanece inalterada. Para a entidade, o governo brasileiro precisa negociar com urgência para restabelecer condições equitativas e evitar perda de mercado para concorrentes internacionais.