Rio sob investigação: o que vem após as 121 mortes na megaoperação

09 de Novembro 2025 - 10h03
Créditos: Tercio Teixeira/Especial Metrópoles

A megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), realizada no último dia 28, tornou-se a mais letal da história do Rio de Janeiro. A ação nos complexos do Alemão e da Penha resultou na morte de 117 suspeitos e de quatro policiais. Diante do alto número de vítimas, diversas investigações foram abertas para apurar as circunstâncias da operação.

Na manhã seguinte, moradores da Vila Cruzeiro expuseram mais de 60 corpos em uma praça da comunidade, o que repercutiu em todo o país e reacendeu o debate sobre a letalidade policial no estado.

Reações e investigações

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a preservação de todas as provas da operação. Na segunda-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes se reuniu com o governador Cláudio Castro (PL), o prefeito Eduardo Paes (PSD) e representantes do Judiciário e do Ministério Público. Castro apresentou um relatório com 18 respostas às demandas do STF.

O Ministério Público do Rio (MPRJ) instaurou uma investigação independente, conduzida pelo Gaesp, e requisitou acesso às gravações das câmeras corporais dos policiais. A Defensoria Pública do Estado (DPERJ) também criou uma força-tarefa para ouvir familiares e moradores, incluindo os relatos no relatório “Atuação da Ouvidoria da Defensoria Pública na Operação Policial realizada no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha”.

Moraes garantiu que o MPRJ e a Defensoria Pública da União (DPU) acompanhem todo o processo e determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito sobre a atuação do crime organizado no Rio.

ADPF das Favelas

A operação reabriu o debate sobre a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, ação apresentada pelo PSB em 2019 para controlar a letalidade policial e garantir que as operações sigam parâmetros constitucionais.

Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, o processo está sob relatoria provisória de Alexandre de Moraes. Em decisão anterior, o STF determinou que o governo do Rio adote medidas como:

uso proporcional da força;

instalação de câmeras em viaturas;

criação de um plano de reocupação de áreas dominadas por facções;

participação da Polícia Federal em investigações sobre milícias e tráfico.