Saldo de empregos no RN tem pior 1º semestre desde 2020

31 de julho 2026 - 09h51
Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O mercado formal de trabalho potiguar registrou sinais de desaceleração no primeiro semestre de 2026 e o pior resultado para o período desde 2020. O Rio Grande do Norte teve um saldo positivo entre janeiro e junho de 2026, mas gerou apenas 716 vagas com carteira assinada, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados na quarta-feira (29).

O desempenho representa uma queda de 89,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de 6.744 empregos. Apesar de ser positivo, o resultado semestral foi o pior para um 1º semestre desde 2020 (-20.020 vagas). Em 2021 foram 9.874; em 2022, 7.312; em 2023, 6.080 e em 2024, 13.267.

Em 2026, o resultado foi puxado pelo saldo dos setores de serviços (+4.620), construção (+1.174) e comércio (+588). Por sua vez, foram negativos os resultados da indústria (-1.133) e agropecuária (-4.527). Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o resultado do setor industrial despencou, passando de +2.508 para -1.133. O desempenho de agropecuária, construção e comércio também foi pior em 2026. Apenas o setor de serviços melhorou neste ano.

O economista Ricardo Valério, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), avalia que o Brasil e o RN enfrentam um processo de desaceleração na geração de empregos. “Nenhum país consegue manter o processo permanente de crescimento de emprego como vinha ocorrendo no Brasil, de quase pleno emprego”, observa.

Segundo ele, a comparação negativa de 2026 frente a 2025 ocorre devido a fatores como a alta dos juros e dos custos de produção, além de possíveis reflexos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

“Houve a queda das exportações no RN das balas e pirulitos, do pescado e do sal marinho, entre outros produtos, o que causou retração dos setores da construção civil, comércio e o setor industrial”, diz o economista.

Ainda segundo ele, apesar do fraco desempenho este ano, as perspectivas para o segundo semestre são positivas. “Afinal, o nosso varejo está crescendo 1,4%, o nosso turismo teve um crescimento recentemente, e o nosso pescado, as castanhas de caju e o petróleo estão [isentos de sobretaxas nas] exportações [aos EUA]”, diz o economista.

O Boletim do Emprego elaborado pelo Sebrae-RN com base nos dados do Novo Caged aponta que os pequenos negócios sustentam o emprego formal no estado. No acumulado de 2026, as micro empresas criaram 6.758 postos formais, enquanto pequenas perderam 436; médias fecharam 2.585; e grandes, 3.021.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que o baixo dinamismo da economia potiguar registrado em 2026 decorre da combinação de fatores conjunturais e estruturais. “Houve desaceleração de setores tradicionalmente importantes para a geração de empregos [...] Soma-se a isso um ambiente de custos elevados, juros ainda altos, maior cautela dos empresários para investir e incertezas relacionadas às condições climáticas”, diz a entidade.

O saldo de mais de 4 mil empregos fechados na agropecuária pode ser analisado a partir das características próprias do setor. Além da sazonalidade das safras, quando colheitas acabam e caem as contratações temporárias, a Faern diz que o comportamento em 2026 “foi agravado por fatores como custos de produção elevados, dificuldades de acesso ao crédito, efeitos das condições climáticas e maior cautela dos produtores diante das incertezas econômicas”.

Saldo acumulado no 1º semestre
2020: -20.020
2021: 9.874
2022: 7.312
2023: 6.080
2024: 13.267
2025: 6.744
2026: 716

Com informações de Tribuna do Norte