Durante a Olimpíada de Tóquio, a ginasta norte-americana Simone Biles relatou sentir “twisties” —  um problema de saúde mental que causa a perda de noção de espaço — e, em complicações dessa condição, desistiu de participar da reta final dos jogos. Em seguida, outras atletas da ginástica artística  se pronunciaram sobre o tema.

Na terça-feira (27), quando Biles, de forma inesperada, entendeu ser preciso deixar a competição por equipes, ela comentou que não desejava “arriscar se machucar ou fazer algo estúpido, ao participar dessa competição”. Em um segundo momento, ela desistiu também da prova individual da Olimpíada de Tóquio. Nas redes sociais, a atleta agradeceu sua treinadora e, em posts já deletados, comentou sobre sua condição.

Por que os “twisties” acontecem?

De acordo com um técnico francês entrevistado pela AFP, os “twisties” são um fenômeno de perda de controle do corpo e da noção de espaço, o que é bastante “complexo”. Inclusive, essa condição pode ser “reforçada pela pressão”. No caso da atleta norte-americana, o especialista comenta que ela estava “absorvida pelo medo de se perder [durante os movimentos]” e, em seguida, de se ferir gravemente.

De modo geral, essa perda de referencial é mais conhecida por ginastas de trampolim e, novamente, pode ser reforçada por situações de perigo para sua integridade física, como uma prova difícil, e o estresse. Nessas condições, o indivíduo teme perder o controle de seu próprio corpo e sua referência, o que acaba o desorientando.

Ginastas relatam bloqueios mentais também conhecidos como “twisties” (Imagem: Reprodução/Kyle Dias/Unsplash)

No caso dos jogos olímpicos de verão, há pressão, estresse e ansiedade em níveis pouco comuns, já que o mundo inteiro aguarda por sua apresentação. Pensando na atleta de ginástica, ela já era uma medalhista e torcedores especulavam e aguardavam por um desempenho excelente. Outro fator que é necessário lembrar é que o planeta enfrenta a pandemia da COVID-19 e este é um tema que afeta a vida muita gente. Biles chegou a comentar como o ano de confinamento foi difícil. 

“Eu tenho ‘twisties’ desde os 11 anos de idade. Não posso imaginar como deve ser assustador, se acontecer durante uma competição”, afirmou a ginasta norte-americana Aleah Finnegan, após o caso da outra integrante da sua federação. “Você não tem nenhum controle sobre seu corpo e sobre o que ele faz”, explicou. No entanto, ela pontuou ser “difícil explicar [a situação] para alguém que não faz ginástica”.

Fonte: G1 CNN