Um em cada três adultos no Nordeste conhece criança vítima de bullying virtual

17 de Outubro 2026 - 09h49
Créditos: Divulgação

Estados do Nordeste acompanham a média nacional na incidência de bullying virtual, segundo pesquisa Infinis/Quaest divulgada recentemente. No Brasil, 33% dos adultos conhecem alguma criança ou adolescente que já sofreu humilhação, xingamento ou constrangimento na internet. No Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte, o índice é de 32%. 
 
Para a psicóloga Verônica Lima, da Hapvida, o dado deve ser visto com atenção e reforça a necessidade de as famílias acompanharem também as experiências emocionais dos filhos no ambiente digital. “Uma agressão na internet não termina quando a criança desliga o celular. A exposição pode alcançar muitas pessoas e o conteúdo pode voltar a circular, prolongando a sensação de vergonha e insegurança. Para quem sofre, pode parecer que não existe um lugar seguro, mesmo dentro de casa”, explica a especialista. 
 
Segundo ela, minimizar a situação como uma brincadeira pode dificultar o pedido de ajuda. Mudanças de comportamento também merecem atenção, embora, isoladamente, não confirmem uma situação de violência. “Evitar a escola, afastar-se dos amigos, apresentar alterações no sono ou demonstrar ansiedade ao receber mensagens são sinais que precisam ser compreendidos. O mais importante é perceber o que mudou na rotina e abrir espaço para a criança falar, sem pressioná-la”, afirma.  
 
Para Verônica, o diálogo deve fazer parte do cotidiano, antes mesmo de surgir um problema. “Além de perguntar sobre a escola, vale conversar sobre o que acontece nos jogos, nos grupos de mensagens e nas redes sociais. Se a primeira reação dos responsáveis é ameaçar tirar o celular ou culpar a criança, ela pode passar a esconder o que vive. A supervisão precisa vir acompanhada de confiança e de combinados adequados à idade”, orienta. 
 
Diante de um relato de violência, a especialista recomenda acolher a criança, preservar as mensagens e buscar os canais de denúncia das plataformas, além de comunicar a escola quando houver outros estudantes entre os envolvidos. “A primeira mensagem deve ser: você não tem culpa e vamos ajudar. A criança não precisa enfrentar isso sozinha nem ser cobrada a resolver a situação”, afirma. 
 
Ela acrescenta que, quando o sofrimento persiste ou interfere na rotina, o apoio psicológico pode contribuir para recuperar a segurança e a autoestima. No ambiente digital, reforça a profissional, acompanhar não significa apenas controlar o que a criança acessa, mas também estar atento ao que ela vive.