BC já apontava suspeitas em tentativa de compra de banco por Vorcaro em 2019

19 de Abril 2026 - 06h42
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O Banco Central do Brasil identificou, ainda em 2019, indícios de irregularidades na tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Máxima. Na ocasião, o órgão recomendou barrar a operação porque o empresário não comprovou a origem dos recursos nem demonstrou capacidade econômica suficiente.

Além disso, os técnicos observaram que a estrutura apresentada envolvia a circulação de dinheiro entre empresas do próprio grupo, sem entrada real de capital externo — prática conhecida como circularização.

Técnicos apontaram falhas e inconsistências
Durante a análise, o Banco Central verificou que Vorcaro utilizou recursos provenientes da Viking Participações para viabilizar a compra. No entanto, esses valores surgiram de reavaliações de ativos, como terrenos e fundos de investimento, o que levantou dúvidas sobre sua consistência.

Ao mesmo tempo, os técnicos identificaram transferências sucessivas entre o próprio banco, empresas ligadas ao empresário e fundos de investimento. Por isso, concluíram que parte relevante do dinheiro poderia ter origem no próprio sistema financeiro, sem aporte externo real.

Diante desse cenário, o órgão afirmou que Vorcaro não apresentou explicações claras e inequívocas sobre a origem dos recursos, o que impediu a aprovação inicial do negócio.

Nova proposta mudou decisão
Apesar da negativa, Vorcaro reformulou o plano. Em seguida, ele apresentou uma nova estrutura, incluiu investidores e realizou novos aportes. Entre março e junho de 2019, ele injetou cerca de R$ 70 milhões no banco, enquanto outros sócios adicionaram mais R$ 30 milhões.

Com essas mudanças, o Banco Central reavaliou o caso. Dessa vez, considerou que os requisitos haviam sido atendidos e, portanto, aprovou a compra em outubro de 2019.

Prejuízo aumentou ao longo do tempo
Enquanto isso, o Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras e já corria risco de liquidação. Segundo especialistas, o impacto para o sistema poderia ter sido menor se o banco tivesse sido liquidado antes.

Entre 2017 e 2019, o custo estimado para o Fundo Garantidor de Créditos quase triplicou e se aproximou de R$ 4 bilhões. Posteriormente, com os desdobramentos do Banco Master, as perdas ultrapassaram R$ 50 bilhões.

Defesa não comentou
Por fim, a defesa de Daniel Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre o caso. Enquanto isso, as investigações continuam e analisam se o modelo identificado em 2019 se repetiu em operações mais recentes.

Com informações da Folha de S. Paulo