FAB investiga aviões que ficaram a poucos metros de distância durante decolagem em Congonhas

02 de Maio 2026 - 12h37
Créditos: Reprodução/Aerolin/FlightRadar

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai investigar as circunstâncias que levaram dois aviões com passageiros a ficarem a apenas 22 metros um do outro, na manhã da quinta-feira (30), no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Sem conseguir contato com o avião que decolava, a torre de controle do aeroporto determinou que o avião que descia no aeroporto arremetesse para evitar um possível acidente.

A ocorrência aeronáutica envolveu um Embraer 195-E2 da Azul Linhas Aéreas e um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas. O Boeing da Gol fazia o voo G31629 procedente de Salvador (BA) e se aproximava para o pouso. Já a aeronave da Azul estava em manobra de decolagem com destino a Belo Horizonte (MG).

A FAB vai analisar imagens e relatórios para determinar se houve perda de separação - quando duas aeronaves ficam a uma distância abaixo da mínima determinada pelo Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea).

Segundo a FAB, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para realizar a ação inicial da ocorrência, envolvendo as duas aeronaves em Congonhas. De acordo com o órgão, essa etapa inclui a coleta e validação de dados, preservação de evidências e levantamento de informações necessárias para a investigação.

Conforme o Decea, na maioria dos casos, a separação vertical mínima entre aeronaves em voo é de 1.000 pés (300 metros), mas pode haver variação conforme as dimensões das aeronaves.

Dados do Flightradar24, serviço global de rastreamento de voos em tempo real, registraram a proximidade entre as duas aeronaves. Passageiros também registraram em vídeo a aproximação entre os aviões.

Imagens do canal Golf Oscar Romeo, no YouTube, mostram que a comunicação entre o controlador de voo e os pilotos foi tensa. Os registros indicam que a aeronave da Azul demorou para iniciar a corrida da decolagem, no momento em que a outra aeronave se aproximava do aeroporto para pousar. Seguindo o protocolo, o controlar determinou que a aeronave da Azul abortasse a decolagem, mas não houve resposta da tripulação e a aeronave continuou o processo de subida.

Após nova determinação sem resposta, o controlador pediu que o avião da Gol procedesse à arremetida, ou seja, ganhasse altura para realizar nova tentativa de pouso com segurança. Como o avião da Azul manteve a decolagem, a torre pediu à tripulação que fizesse uma curva à direita para manter-se a 1.500 pés (450 metros).

A Azul informou que o voo AD6408 (Congonhas-Confins) desta quinta-feira seguiu os procedimentos operacionais previstos para a decolagem do aeroporto paulistano. A companhia reforçou que a segurança é seu valor primordial, e que as suas operações são conduzidas de acordo com protocolos e regulamentações vigentes. "A Azul está à disposição para colaborar com o Cenipa - Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que está apurando o ocorrido", disse.

A Gol esclareceu que o pouso do voo G3 1629 no Aeroporto de Congonhas, no dia 30, ocorreu em segurança, dentro do horário programado e reforçou que as ações em relação ao voo foram tomadas com foco na segurança, valor número 1 da companhia. A Gol destacou que colabora integralmente com o Cenipa na apuração do fato.

Com informações de Estadão