Créditos: Ricardo Stuckert/PR
As medidas econômicas e sociais anunciadas ou ampliadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somam R$ 354 bilhões, segundo levantamento do Estadão de outubro de 2026. O cálculo faz parte do Gastômetro, ferramenta criada pelo jornal para acompanhar gastos, subsídios, operações de crédito e renúncias de receitas federais, incluindo iniciativas anunciadas durante o período eleitoral. O governo federal contesta a metodologia e afirma que os programas atendem a necessidades da população e da economia, sem finalidade eleitoral.
A maior parcela do montante corresponde a programas de financiamento, créditos subsidiados e incentivos direcionados a setores econômicos e categorias profissionais, como motoristas de aplicativos e caminhoneiros. Também entram na conta benefícios tributários, programas habitacionais e medidas de apoio a empresas.
O levantamento inclui ainda iniciativas de transferência de renda e benefícios sociais, como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de despesas com publicidade institucional. Entre as medidas tributárias consideradas está a ampliação da isenção e dos descontos do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimentos de até R$ 7 mil mensais.
Nas iniciativas mais recentes está um pacote voltado aos microempreendedores individuais (MEIs), anunciado após o primeiro turno da eleição presidencial. Segundo o Estadão, a proposta contempla o perdão de dívidas tributárias que totalizam R$ 12,86 bilhões. A estimativa do próprio governo, porém, é de uma renúncia efetiva de receitas de R$ 3 bilhões ao longo de três anos, considerando os valores que poderiam ser recuperados nesse período.
O pacote também prevê a proposta de um incentivo de até R$ 5 mil, por meio de transferência via Pix, para apoiar pequenos negócios. A implementação da medida dependerá de uma nova proposta e somente poderá ocorrer a partir de 2027.
Outras iniciativas foram anunciadas antes do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Entre elas estão o reajuste de 15% do Bolsa Família, medidas voltadas ao setor de apostas, uma nova versão do programa Desenrola Brasil e a previsão de distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Governo contesta levantamento e defende políticas públicas
Em resposta ao Estadão, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que considera inadequado classificar o conjunto das medidas como gastos destinados à reeleição de Lula.
Segundo o governo, o levantamento reúne políticas públicas com finalidades, fontes de financiamento e formas de execução diferentes, incluindo programas de educação, segurança, proteção de empregos e apoio a empresas.
Com informações de Estadão


