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O Porto de Natal realizou entre estas terça e quarta-feira (28) o primeiro embarque marítimo de gado vivo do Nordeste. Foram enviados 2.700 animais à Arábia Saudita, gerando um movimento de R$ 20 milhões, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca do Rio Grande do Norte (Sape-RN). O segundo embarque será para o Egito com 4 mil animais, previsto para começar nesta quinta-feira (29). As informações são da Tribuna do Norte.
A operação ocorre após a conclusão das exigências sanitárias e operacionais específicas para a atividade. O Porto de Natal, administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), foi habilitado para a operação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 17 de junho deste ano.
A operação é acompanhada pela Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Receita Federal e pelo Mapa. No RN, a primeira Estação de Pré-Embarque (EPE) de gado foi aprovada, com condicionantes, em agosto do ano passado.
Entre as exigências da operação está o cumprimento de procedimentos específicos para o transporte marítimo de animais vivos, com o objetivo de preservar o bem-estar animal. Uma dessas é a preparação de uma cama adequada para os animais durante a viagem, com materiais como palha de arroz e bagaço de cana-de-açúcar.
De acordo com o titular da Sape, Guilherme Saldanha, os animais passaram cerca de 16 dias em quarentena na região metropolitana de Natal e há empresas interessadas em transformar suas fazendas em Estação de Pré-Embarque (EPEs). “Nos próximos meses, deveremos ter pelo menos duas ou três EPEs novas”, diz.
Na avaliação da Sape-RN, a exportação abre perspectivas para a cadeia produtiva da pecuária do RN, com potencial para beneficiar produtores rurais, pecuaristas, transportadores, trabalhadores portuários e outros segmentos ligados à atividade. Guilherme Saldanha, destaca que a abertura desse mercado cria possibilidades tanto para os pequenos produtores que vendem seus animais quanto para os pecuaristas que investem na criação e na produção de bezerros. O secretário diz que o Governo pretende manter o incentivo para inserção desses produtores no mercado.
Este primeiro envio contou com animais fornecidos por 14 pequenos produtores e servirá para observação e avaliação do processo e da logística. Os próximos embarques deverão contar com registros de imagens. A atividade também pode gerar reflexos em segmentos como o transporte rodoviário, os serviços portuários e o fornecimento de alimentação.
Guilherme Saldanha avalia que a atividade pode impulsionar a pecuária no estado. “Se nós conseguirmos estabelecer um mercado para que toda semana saia um navio daqui, é o equivalente a instalar um frigorífico de grande porte, padrão JBS, que abate mil animais por dia. Só que não é abate, é levar para abater em outro país”, diz.


